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Jiu Jitsu para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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O Jiu Jitsu brasileiro, também conhecido como “arte suave”, consiste no uso de técnicas de alavanca, torção e pressão, realizadas no solo e que possui como objetivo principal a imobilização e subsequente submissão do oponente. Por ser um esporte de contato, o Jiu Jitsu exige um grande esforço intelectual e físico, uma vez que o atleta precisa controlar não somente os movimentos do próprio corpo como também aqueles vindos do seu adversário.

Artes marciais, quando realizadas regularmente, produzem um grande impacto positivo sobre a saúde. As mudanças físicas conquistadas a partir de sua prática é o fator essencial e motivador para a implementação do exercício na rotina pessoal. Entretanto, o que muitos ainda desconhecem é que a prática de Jiu Jitsu vai muito além da perda de peso, ganho de força e definição muscular. Considerada uma atividade muito dinâmica e prazerosa, o Jiu Jitsu é um esporte que abrange diversos campos da vida, são eles: Alivio do estresse, defesa pessoal, socialização, combate à vícios e mau hábitos, depressão, prevenção e controle da obesidade e melhoria na qualidade de vida dos indivíduos que possuem deficiência física, intelectual ou de desenvolvimento.

O autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma síndrome crônica comportamental responsável por acometer o desenvolvimento cognitivo do indivíduo e que possui como principal característica a dificuldade de interação social devido a barreira de comunicação enfrentada pelo portador dessa desordem intelectual. (LOPEZ, GARCIA, et al., 2014).

Apesar de ainda não haverem estudos suficientes que comprovem a verdadeira causa do autismo, acredita-se que esta seja um síndrome desencadeada por múltiplos fatores, podendo eles terem origem genética, neurológica e/ou social (VOLKMAR, 2014).

De acordo com um relatório emitido pelo  Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CD), em 2016, 1 em cada 68 crianças foram diagnosticadas com transtorno de espectro autista. Existem diversos graus de prejuízo cognitivo e as crianças portadoras de autismo podem apresentar comportamentos variados com diferentes níveis de gravidade. Existem crianças com ausência ou atraso na comunicação, pouco contato visual com as pessoas, resistência ao contato físico, comportamento agressivo, retardo mental e  dificuldade no desenvolvimento de habilidades sociais. (LAMPREIA, 2004, BEJEROT, 2007). Os diferentes comportamentos encontrados impulsionam cada vez mais a busca por métodos de cuidado com a saúde mental  que visam melhorar a qualidade de vida daqueles que possuem problemas sociais, comunicativos e afetivos possibilitando assim a sua integração e/ou reintegração na sociedade e permitindo que ele tenha uma vida normal.

Benefícios do Jiu Jitsu para crianças portadoras de TEA:

  • Responsabilidade: A criança aprende a organizar a sua própria escala para que os treinos estejam incluídos nas atividades diárias.
  • Condicionamento físico: O corpo da criança adquire mais resistência física e é possível ver melhora em aspectos como força, velocidade e flexibilidade
  • Disciplina: A criança aprende a controlar o próprio comportamento, respeitar e obedecer regras e aqueles que são seus superiores.
  • Socialização: A criança consegue desenvolver o sentimento de coletividade, aprende a se comunicar e assim se capacita para conviver em uma sociedade.
  • Comportamento: A disciplina e excelência encontrada no Jiu Jitsu reflete de maneira positiva no comportamento da criança no ambiente escolar e em casa.

No topo de tudo isso, a inclusão do Jiu Jitsu na rotina da criança pode funcionar como um tratamento natural para a desordem intelectual que acomete os pequenos. Isso acontece da seguinte forma: O IGf1 é o fator de crescimento de insulina, naturalmente sintetizado pelo organismo e que consegue fazer com que os neurônios aumentem o número de sinapses e se comportem de forma normal. Desordens intelectuais, como no caso do autismo, reduzem a produção desse hormônio, sendo necessário o uso de medicamentos para regular os níveis do mesmo no corpo. A prática regular de Jiu Jitsu favorece a produção de hormônio de forma natural, fazendo com que, em muitos casos, o uso de medicamentos não seja mais necessário.

OBJETIVO

O uso desse Guia Didático possui como objetivo usar métodos de ensino de Jiu Jitsu para crianças , fazendo algumas adaptações que permitam a integração social e esportiva de crianças portadoras de autismo ajudando a mesma a melhorar sua qualidade de vida e levar uma vida normal.

DESENVOLVIMENTO

Sempre que se tem uma criança iniciante em Jiu Jitsu é preciso que se tenha uma apresentação por parte dos pais sobre qualquer deficiência apresentada pelo filho. O instrutor precisa estar ciente da condição que o aluno possua. São diversos os graus de autismo e dessa forma é de extrema importância que o instrutor o conheça para que assim possa determinar a execução dos seguintes passos.

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Aula de Jiu Jitsu para crianças com ETA: Passo a passo

  1. A criança precisa ser recebida com muito carinho e assim sentir que o novo ambiente onde esta é seguro, confortável e acolhedor. É indispensável que o instrutor use um tom de voz moderado de forma a nao assustar ou deixar a criança desconfortável antes mesmo do início da aula.
  • Aquecimento individual: A aula deve começar com exercícios de aquecimento individuais que incluam exercícios como: corrida regular, corrida de costas e corrida lateral (virada para a parte central e externa do tatame), polichinelo, apoio, cambalhota de frente, cambalhota e costas e fuga de quadril.
  • CORRIDA LATERAL: Consiste em passadas rápidas, alternando a direção do corpo para dentro e fora do tatame. Essa alternância pode ser realizada de duas formas: A primeira delas executa-se o movimento por aproximadamente 30 segundos com o corpo voltado para o centro do tatame e logo depois troca-se a direção do corpo para o lado de fora do tatame, realizando a prática por mais 30 segundos. A outra forma seria executar a alternância de direções de maneira consecutiva, realizando uma passada com o corpo voltado para dentro do tatame e a passada seguinte direcionando o corpo para fora do tatame com duração total de 1 minuto.
  • CORRIDA EM ZIGUE ZAGUE: Esse exercício consiste em espalhar cones em uma linha de forma não uniforme. Os alunos possuem como objetivo chegar ao final do percurso contornando os cones, sem derruba-los.
  • POLICHINELO: A criança precisa executar esse movimento em um mesmo quadrante, realizando pulos simultâneos com as pernas e braços abertos e fechados, sendo eles diretamente correlacionados, ou seja, quando realiza-se o pulo com a perna aberta, o braço aberto acompanhará o movimento e vice-versa.
  • APOIO: Nesse exercício, a criança se posiciona com os braços abertos na altura dos ombros e as mãos no chão. As pernas devem estar esticadas e somente os pés devem tocar o chão. O movimento deve ser realizado de forma a abaixar e subir o corpo impedindo que o joelho e o peitoral encostem no tatame.
  • CAMBALHOTA DE FRENTE: A criança deve se posicionar de joelhos, colocar as mãos à frente do corpo, a cabeça no chão, lembrando-se sempre de encostar o queixo no peito. Em seguida, usando as pernas, a criança impulsiona o corpo rolando para frente.
  • CAMBALHOTA DE COSTAS: A criança deve estar sentada e a partir daí ela projeta as pernas sobre a cabeça, tocando as costas no chão, lembrando-se sempre de encostar uma orelha em um dos ombros, projetando o seu corpo sobre o ombro oposto.
  • FUGA DE QUADRIL: A criança deve iniciar esse exercício com as costas no chão e ela então precisa escolher um dos lados para começar. Em seguida, a perna referente ao mesmo lado escolhido, deve estar completamente esticada enquanto a outra perna deve se posicionar dobrada em um ângulo de aproximadamente 90°. A partir disso, usando a perna que está flexionada, a criança deve se impulsionar girando sobre o ombro oposto de forma a mover o quadril.

Esse processo deve ser realizado em um tempo entre 3-5 minutos. Dessa forma, recomenda-se a escolha de no mínimo 3 e máximo 5 exercícios.

  • Aquecimento coletivo: Exercícios funcionais são realizados com um parceiro, devendo sempre se observar o tempo mínimo e máximo de contato físico tolerado por cada criança. Recomenda-se a escolha de no mínimo 2 e máximo 4 exercícios, sendo possível intercalar exercícios de baixa, moderada e alta intensidade.
  • CARRINHO DE MÃO: Uma das crianças se posiciona com as mãos no chão, em posição similar ao exercício de apoio, enquanto a outra criança a segura pelos tornozelos. Em seguida, elas realizam uma caminhada, onde uma criança percorre todo o trajeto “andando com as mãos”, enquanto a outra é responsável por fornecer o suporte que evitará a queda, caso a criança se desequilibre. A troca deve ser realizada após o final do percurso.
  • PULA SELA: Em duplas, as crianças se revezam na realização de movimentos onde a “criança A” se abaixa enquanto a “criança B” posiciona as mãos sobre as costas das “criança A” e então se impulsiona e pula a “criança A”. Após isso, ocorre o revezamento e a “criança B” fica então responsável por realizar o mesmo  movimento que a “criança A” realizou anteriormente.
  • CORRIDA DE MÃOS DADAS: As crianças são divididas em duplas e com as mãos dadas, realizam uma corrida até o final do percurso estabelecido.
  • ABDOMINAIS COM AS PERNAS ENTRELAÇADAS: As crianças se posicionam sentadas, uma de frente para outra  e com as pernas entrelaçadas. A partir disso, elas realizam abdominais, em sincronia, tocando as mãos todas as vezes que se encontrarem na parte superior do movimento.

A terceira etapa requer um contato maior entre a criança autista e o seu parceiro de treino, por essa razão, recomenda-se que durante a primeira semana que os exercícios coletivos sejam realizados em um tempo máximo de 1 minuto cada, observando sempre o conforto e tolerância de cada uma. Recomenda-se que essa etapa tenha duração média de 10 minutos.

  • Intervalo: Após a realização completa do aquecimento, o instrutor concede permissão às crianças para que elas façam uma breve pausa. Nessa etapa, as crianças possuem um tempo médio de 3-5 minutos para tomarem água e irem ao banheiro caso precisem. É importante que o instrutor se atente ao retorno de todos os alunos, principalmente porque essa etapa é posterior a etapa de exercício coletivo, podendo esta deixar a  criança autista desconfortável e sem vontade de retornar à prática.
  • Técnicas básicas de Jiu Jitsu: A apresentação das primeiras técnicas devem ser realizadas de forma delicada. É importante que seja escolhido algo descomplicado e rápido, permitindo que a criança consiga focar do início ao fim durante o período de explicação e que consiga realizá-la de tal modo que não ocorra qualquer episódio de frustração. Essa é também uma etapa que requer intenso contato interpessoal, dessa maneira, recomenda-se que o instrutor esteja sempre por perto analisando o desenvolvimento do aluno autista, de forma a intervir pacificamente caso haja algum desconforto durante a prática. Um excelente exemplo de intervenção seria demonstrar de forma positiva que o contato interpessoal é algo que se conecta diretamente com a sensação de felicidade que sentimos dentro de nós. Recomenda-se a prática de no mínimo 15 minutos e máximo 20 minutos, devendo-se sempre observar o conforto e tolerância de cada criança.
  • Rola: Recomenda-se que essa etapa seja realizada somente à partir da segunda semana e é crítico que o instrutor nesse momento disponha do seu tempo para tentar uma aproximação de maneira a iniciar um diálogo e ganhar a confiança do aluno assim fazendo com que  ele se sinta bem e queira retornar à prática de Jiu Jitsu.
  • PRIMEIRA SEMANA: Diálogo entre o instrutor e o aluno.
  • SEGUNDA SEMANA: A partir da segunda semana, caso o instrutor sinta a segurança de iniciar o aluno nessa etapa sem que ocorra frustração e levando-se sempre em consideração o conforto da criança, recomenda-se que cada rola dure no máximo 1 minuto, com duração média total de 5-15 minutos.
  • TERCEIRA SEMANA: Caso o instrutor tenha visto facilidade e progresso na interação do aluno autista com as outras crianças durante a semana anterior, recomenda-se o aumento de 1 minuto por rola para 2 minutos cada (o tempo normal e médio de rola para todas as crianças é de 3 minutos cada) com duração média de 5-15 minutos.

É importante ressaltar que é extremamente necessário que o instrutor avalie o seu aluno individualmente e diariamente. Algumas crianças podem demorar algumas semanas até se sentirem confortáveis para a realização desta etapa. Caso isso ocorra, o instrutor possui o papel crucial de realizar diálogos que tenham influência positiva sobre a auto estima e a motivação do aluno.

  • Brincadeiras: Ao final de cada aula, é altamente recomendado que sejam realizadas brincadeiras como por exemplo, Pega-Pega de corrente (Chain Tag),  queimada (Dodgeball) e cabo de guerra. . As brincadeiras possuem como objetivo principal incentivar e ensinar o espírito de equipe, bem como a promoção do contato físico e consequente aumento dos laços afetivos entre os amigos.
  • PEGA-PEGA DE CORRENTE (CHAIN TAG): A primeira, consiste na escolha de uma criança que iniciará o “pega-pega” e ao pegar uma outra criança, elas se dão as mãos e agora juntas possuem o objetivo de cumprir a mesma tarefa até que reste somente uma pessoa.
  • QUEIMADA (DODGEBALL): Na brincadeira de “queimada” dois times são formados e utilizando uma bola, cada time tem como objetivo acertar todos os adversários. O primeiro time a acertar todos os alvos, é o ganhador.
  • CABO DE GUERRA: Os alunos são divididos em dois grupos e eles então se posicionam em lados opostos da corda que foi dividida, de forma exata, ao meio. O time vencedor será aquele que puxar a outra metade da corda trazendo junto à ela, pelo menos um integrante do grupo adversário para o seu lado do campo.
CONSIDERAÇÕES

Logo à partir da segunda semana, inicia-se o trabalho de acompanhamento visando compreender a melhora ou a regressão no comportamento da criança utilizando como ferramenta relatos dos pais e opiniões de profissionais que acompanham a rotina do aluno.

CONCLUSÃO

As crianças autistas possuem características que precisam ser conhecidas e respeitadas sendo necessário o auxílio de instrutores pacientes e sensíveis capazes de estabelecerem planos ideais de atividades físicas, onde o indivíduo consiga desenvolver suas habilidades de comunicação e atenuar características relacionadas ao seu comportamento em sociedade.

A partir do uso desse guia didático foi possível ver resultados positivos sobre o relacionamento de crianças portadoras de autismo com os seus pais e pessoas mais próximas, incluindo progresso na comunicação dentro de casa, aumento de afetividade da criança e maior permissividade de aproximação e toque. Também foi possível cumprir com sucesso o objetivo de integração da criança no meio social, não some.

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